Ela sentiu um forte gosto de sangue na boca, sabia que algo havia acontecido, algo sério. No meio da confusão ela apagou, não lembra mais de nada. Apenas havia acordado com esse gosto familiar na boca. Agora sentia uma dor, a mesma dor que sentiu durante meses antes desse dia, mas que nunca conseguiu identificar. De fato, algo havia acontecido. Toda aquela correria não era gratuita. Aos montes, uns estranhos corriam, outros se amontoavam ao seu redor, algo aconteceu, pensava ela. A sensação de despedida era, agora, uma verdade. Ela estava se despedindo. Tentou balbuciar algo e, nada, além de um bom punhado de sangue, saiu de sua boca. Homens vinham, apontavam. Mulheres passavam, aos prantos. Pelo menos era o que parecia estar por detrás daquelas mãos trêmulas. Agora o sangue escorria por seu rosto, descendo até sua orelha, seu cabelo, seu pescoço. O sentimento de inutilidade, talvez seja o mais desgastante nessas situações. Ela já tinha desistido de lutar. As pessoas, pelo visto, já tinham desistido de olhar, apontar e chorar. O barulho da multidão deixava de ser dominante e começava a se misturar com o restante das máquinas barulhentas e previsíveis que ali estavam. Balões tomaram os lugares antes ocupados por pequenas cabeças a correr. Ela achou o colorido desse desfile o mais bonito que já tinha visto. Sorriu ao lembrar das cores que gostava quando pequena, que ignorava quando adolescente e que desconhecia quando adulta. Não conseguia mover-se, nem falar, tampouco fazer algo que a ajudasse a desvendar o porque de estar ali deitada, entre estranhos e balões, com a boca ensangüentada e com uma leve sonolência. A dor desconhecida ficava mais e mais forte. Ela percebeu, então, que algo poderia ajuda-la a descobrir que dor era aquela, que sangue era aquele e quem eram todas aquelas pessoas estranhas, que corriam, que paravam, que choravam, que sumiam. Assim, fechou os olhos, determinada a descobrir o que estava acontecendo. E partiu. Talvez o sono a tenha levado. A ante-sala da morte foi tão exaustiva para ela, que talvez a primeira desistência nunca tenha sido desfeita. E ela partiu, sem saber porque. E eu continuei minha caminhada noturna. Ainda tinha muito chão pela frente.
boa tarde, breno! gostaria de dar-lhe os parabéns! lendo este seu último post, achei fascinante o modo como você mescla o suspense com o mergulho psicológico! você soube demostrar maestralmente como estamos sujeitos, em nossas caminhadas solitárias pelas sombras, a nos deparar com situações de pessoas em perigo, desorientadas em seu sofrimento, e mesmo assim seguir em frente depois de tentativas fíbeis de compreendê-las! estou admirado!
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(brinks curti foi o sangue heuehuehe)
vale dizer que vou assinar o rss pra não ficar lhe dando ibope ao vir aqui checar por novos posts, rs.
eu também vou assinar o rss, pra não te dar ousadia.
brinks sou avessa a novidade tecnológicas